O filme O jogo da
imitação (2015) é excelente do ponto da vista de seu roteiro. Este trata da
história do matemático Alan Turing, que na II Guerra Mundial desenvolveu uma
máquina que decodificava as mensagens secretas que as forças armadas alemãs
emitiam entre si durante seus ataques nesse conflito bélico. Os trabalhos de
Turing e da sua equipe evitaram que milhares de pessoas morressem em
decorrência de ataques alemães.
Há, no entanto, alguns problemas no filme. Primeiro de tudo,
a personagem principal, que é, evidentemente, o próprio Alan, interpretado pelo
muito bom ator Benedict Cumberbatch, acaba caindo na caricatura do gênio que
não sabe se socializar. Talvez Alan tenha sido exatamente dessa forma na vida
real. Nesse caso, essa falha seria desculpável sob a justificativa de
fidelidade histórica. A despeito disso, o filme cai no óbvio ao representar
Alan da mesma forma que tantos outros filmes representam os considerados
grandes gênios da ciência, ao criar uma espécie de Sheldon Cooper num filme de
drama. Se no The Big Bang Theory a
caricatura cai como uma luva, num filme de drama ela flerta muito fortemente
com o enfadonho.
Outro problema do filme está nos vários momentos nos quais
ele passa a ideia de que Alan teria vencido a guerra sozinho. Sabemos que uma
guerra é um processo social que, como sempre, é complexo, nunca sendo decidido
só pela ação de uma pessoa. Transmitir, mesmo que involuntariamente, a mensagem
de que uma pessoa acabou com a II Guerra Mundial me parece muito injusto com
todas as outras pessoas que desempenharam seus papéis nessa guerra e que
contribuíram, muitas delas com suas próprias vidas, para o seu fim. Que Alan
deu uma contribuição fundamental, a julgar pelo próprio filme, disso não tenho
dúvida. Que ele ganhou a guerra sozinho, aí já é viagem.
Por último, já no finalzinho do filme, é relatado que a
rainha da Inglaterra concedeu o perdão a Alan. O motivo do perdão? Alan era
homossexual, o que era considerado perversão pela lei britânica dos anos 1940 e
1950. O filme mostra de forma muito tocante o drama de ser homossexual nessas
condições. Esse foi um dos pontos altos do filme, senão o mais alto. Contudo
achei de uma estratosférica irrelevância ser mencionado o perdão da rainha no
final do filme. Quem tinha que ter pedido perdão era a rainha e os demais
representantes do Estado inglês, sejam estes simbólicos ou não. Soou que a
rainha foi super legal em ter concedido o “perdão”.
O filme é muito bom, pois sua história prende, fazendo-nos
comover e nos entretermos com as suas personagens e com o bom roteiro do filme.
Parece que o famoso bonequinho do jornal O Globo dormiu no filme. Essa parece ser a crítica
que, a meu ver, vem de um(a) crítico(a) que só louva os filmes que inovam
de alguma forma. Não acho que um filme precisa inovar para ser muito bom. O jogo da imitação é um filme muito bom,
sem ser inovador.

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