[Ola, pessoal. Inicio esse texto dizendo que o portugues escrito aqui sera demasiadamente incorreto, pois estou no Chile e os teclados de computadores aqui sao diferentes dos do Brasil, principalmente quando o assunto e acentuacao, como voces podes ver na ausencia do "c" cedilha na palavra "acentuacao"e do acento circunflexo na palavra "ausencia". Peco desculpas e prometo corrigir esses erros quando chegar no Brasil. A despeito disso, preciso escrever algo sobre essa longa viagem que estou fazendo pela America do Sul.] E o Chile, país no qual estou pela segunda noite, me pareceu ser o lugar ideal por possuir uma capital enorme, cujas pessoas são bem diferentes umas das outras, com direito a grupos de punks andando pelas ruas, lojas vendendo canecas com a imagem do ditador Pinochet com um "Gracias, mi general" escrito ao lado, grupos de homossexuais dando cantadas nos brasileiros atarvés de frases do tipo "complexo do alemao" (sic), infinitos bares e boates vendendo diversão e de bandas tocando no meio das ruas de um bairro boêmio de Santiago, o Bella Vista, justamente o bairro no qual me encontro.
Santiago foi a primeira cidade que me fez parar e pensar sobre o mundo, sobre as coisas e sobre mim mesmo. Apesar de ter frequentado a Lapa algumas vezes, bairro carioca no qual se concentram os (pretensos) "undergrounds" do Rio de Janeiro, acho que nunca vi algo tão diferente em minha vida do que a cidade capital do Chile. Ela não é uma cidade igual às outras, por maior que ela seja. Tem algo em Santiago que respira diferença, dessemelhança de tudo que eu já vi na vida. Na verdade isso tudo pode ser devido ao fato de eu ser estrangeiro e estar num lugar com cultura e lingua totalmente diferentes das minhas. Mas foi Santiago que fez eu me sentir o que realmente sou e o que todos nós somos: uma ponta num meio de um universo infinito. Esse amontoado de gente, de cores, de rostos, de andares, de prédios, de ruas... Tudo isso dando pra algum caminho ou dando pra lugar nenhum. Depende do que se procura, do que se deseja, do que se considera caminho... Enfim, tudo nesse mundo vasto depende do ponto de vista, do lugar do qual se está olhando algo. Acabei de conversar com uma mulher com quem tive uma conversa franca e produtiva e que me disse simpatizar mais com governos ditatoriais do que com os governos democráticos. Essa é a verdade dela, apesar de eu quase ter escarrado nessa "verdade". Mas é isso que me incomoda nesse mundo: essa diversidade que não acaba, essa eterna torre de babel dos espíritos encarnados. Eu fico me perguntando qual é o meu lugar em tudo isso, o porquê de eu estar aqui, fazendo o que, indo para onde... Às vezes essa diversidade me fascina, mas em outras vezes ela me irrita, me sufoca... É demais pra mim e creio que para muita gente, haja vista as igrejas abarrotadas de pessoas implorando por uma direção e os livros de auto-ajuda sendo vorazmente consumidos por pessoas frequentadoras de terapia.
Enfim, Santiago é uma bela cidade e o Chile é um país tão belo quanto Santiago. Mas eu tenho um mundo dentro de mim que muitas vezes grita para sair como uma entidade com vida própria. E foi por isso que escrevi esse texto. Não por estar deprimido ou por estar num momento emo da minha vida. Santiago somente me angustiou, me fez parar e pensar sobre as coisas, e acabei escrevendo isso aqui que vocês, meus poucos leitores, estão vendo e, espero eu, sentindo. Prefiro fazer isso a fazer terapia, a comprar livros de auto-ajuda e a frequentar igrejas vendedoras de salvação. Foda-sa o mundo moderno e as suas válvulas de escape. Prefiro gritar...
