quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pedro



Pedro caminhava pelas ruas de Botafogo sem muito mais nem por quê. Acabara de sair de um cinema de rua e se pôs a andar depois de uma sessão sofrida para ele, na qual ele chorou o filme inteiro. O filme era bom, excelente na verdade. Contava os dramas da adolescência de um astro do rock. Mas Pedro não chorara muito pelo filme, apesar deste ter sido lindo. Chorara por ela...

Há dias ele esperava por uma mensagem no seu celular. O primeiro e último encontro com ela tinha sido maravilhoso para ele. A conversa, a cerveja, o rosto dela... Os risos, os rios entre os dois, as piadas, as ironias, as brincadeiras... O beijo dela... Pedro achava que nunca mais teria uma química  tão espontânea e pura novamente com ninguém, até conhecê-la... Ela parecia ser um parêntesis na sua solidão, solidão esta repleta de mulheres e amigos, mas nada comparado a ela... E solidão é solidão, mesmo em meio a um Maracanã lotado. Naquele bar daquela esquina daquele bairro, Pedro voltou a ser feliz de forma genuína. Entre risos, goles e beijos, Pedro se reencontrava em si mesmo e, quem sabe, no amor. Será que aquilo foi amor? Ele não podia saber, nem nunca saberia. O que podia dizer e dizia com paixão é que aquela menina em pouco tempo criara raízes fortes nele, deixara marcas como rastros de bombas. Eles pareciam belos juntos, pareciam peças de quebra-cabeças que se encaixaram perfeitamente numa única noite. Para ela estava tudo bem, mas para Pedro... Não, não estava bem...

Queria mais que uma noite, queria duas, três... Ele sentia que seu coração queria mais... Mas a mensagem dela em seu celular nunca chegava e jamais chegaria. Mas disso ele ainda não sabia. Mas sentia. Por isso caminhava pelas ruas de Botafogo, meio aceso, meio apagado. Caminhava olhando as ruas e sentindo o vento bater em seu rosto. O mesmo vento que já tinha trazido e levado muitas mulheres de sua vida. Dessa vez o vento levou ela... Mas foi tão especial, senti tanta coisa boa, tanto conforto espiritual. Por que você a levou de mim, vento? Não ia adiantar nem gritar, nem chorar, nem correr, tampouco dormir... Às vezes ser humano significa ser prisioneiro das circunstâncias da vida. O vento a trouxe, o vento a levou. Era preciso continuar. Louvado seja o vento...

A pior coisa que existe para um homem é quando uma mulher vai embora de sua vida, mas o beijo dela fica...