segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Poemas em um poema de um poeta impostor


Tarja preta                                                                                

O que
fazer
Quando a alma
Insiste em
doer?
O que nos resta
quando
por dentro
comanda o inquietar
a não ser
cair
em si
e poetar?

...


Porão                                                                                      


Agora
   minha alma
      se encontra
             na mais escura
                        das horas...


...



Resistência

À racionalidade imposta
pelas coisas
oponho o meu livre
poetar

Durmo quando tenho sono
acordo quando
tenho
que

acordar...


...


Recortes

Uma manhã
cinza
garrafa de cerveja
vazia
no espírito
jazia
uma dor surda, pujante,
insolúvel

As cortinas
meio cerradas
no computador
uma carta
a cama
bagunçada
o corpo estirado
no chão
da sala
e o ir e vir da barriga peluda
dava o ritmo
do passar do tempo

Os olhos
se abriram
o corpo
doía
a cabeça
doía
a alma
existia
os livros
que tanto amava
de frente para si
o chão
gelado
o teto branco
escuro
a casa
com gosto de adeus

Levanta
e anda
o espelho do banheiro
a cara amarrotada
o gosto de ressaca na boca
o olhar cerrado
doído
esculachado
inchado
e no ar
uma pergunta

A vida ainda
vale
a pena?