Se tem uma coisa a qual eu sei há tempos mas que sempre me espanta e me emociona todas as vezes que eu a sinto em minha vida é a incerteza que é o coração humano. Homens e mulheres são bombas de sentimentos e mistérios, bombas que explodem continuamente sem muito sentido. Bombas de sensações e pensamentos em eternos conflitos. Bombas que irradiam algo a que chamamos de vida.
O mais perturbador disso tudo é que qualquer tentativa do homem de interpretar quem ele mesmo é, de entender o sentir e o fluir de si próprio é fadada ao fracasso, pois as palavras são símbolos, são tentativas de tocar o intocável, de definir o indefinível, de delimitar o que jamais terá fim. O caminho ou os caminhos da vida são, em última instância, estradas criadas por nós mesmos, de acordo com conceitos nos quais acreditamos estar corretos, mas que no fundo jamais saberemos se realmente é assim.
Isso tudo me angustia. O passado é mistério, o presente é mentira e o futuro é o nada. Sinto falta da época em que Jesus estava vivo em mim, época na qual eu tinha um caminho, uma verdade e uma vida. Agora que sou meu próprio deus tudo virou saudade e meu chão virou nuvem. A liberdade de cair dos céus é incrível e apaixonante. Contudo, a incerteza de não saber aonde se vai parar e de saber também que qualquer paradeiro será incompleto para o homem-deus é algo que me dilacera, ao mesmo tempo em que me apaixona. Às vezes mais me apaixona do que me dilacera. Mas só às vezes...
Estamos todos em queda livre...
